Tirar-te o que escondes, roubar-te o trajo,
A tatuagem e a veste. Ver-te.
Rasgar a imagem que trazes diante de ti.
Avançar para o teu rosto
E num golpe contemplativo,
Cegar-te.
Privar-te de luz,
Que entres em pânico,
No medo e na ansiedade.
Encostar-me a ti, sem nada,
E murmurar-te ao ouvido
Renasce.
Nesse corpo desmunido,
Perguntar para quê tanta violência,
Se me bastava passar ao largo
E não ver
Esse
Apelo ciciado.
Troquemos de veste. É uma ordem.
Maria Gabriela Llansol (2000). Onde vais, drama-poesia?. Lisboa: Relógio d'Água.
VII. Oferendas, p. 285-286, seguido de comentário (p. 286-287)
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venerdì 28 novembre 2014
Poema para Rilke, de Maria Gabriela Llansol
Vi os faunos da nova era
No seu bosque,
A praia.
Não vi quando o olhar começou.
Um instantâneo abandonado pelo entardecer,
Rapariga de treze anos viva,
Em maillot sentada,
Brincando com os pés n'areia.
Foi o cós que me chamou
E achei graça no início do seio,
Encoberto todavia. E todavia aberto.
Levantou-se. Atravessou o areal
E voltou depois com um rapaz
De quinze anos vivo,
Com calções coloridos.
Riam
Deitaram-se na areia, excitando-se.
Os cabelos dela, longos, pestanejando nas pernas dele.
As quatro mãos
Fugindo do que fugiam, acariciavam
Os bordos do atractivo.
Foi quando o aberto se veio sentar entre eles,
Que um clarão lhes incendiou as partes proibidas e o meu olhar
Me levou a ver
A ninfa e o fauno, figuras primícias do novo encanto.
Depois o aberto desvaneceu-se,
E deixou de haver luz naquele drama. Guardei o instantâneo
E arquivei o poema
Na minha colecção.
Maria Gabriela Llansol (2000). Onde vais, drama-poesia?. Lisboa: Relógio d'Água.
VII. Oferendas, p. 283-284
No seu bosque,
A praia.
Não vi quando o olhar começou.
Um instantâneo abandonado pelo entardecer,
Rapariga de treze anos viva,
Em maillot sentada,
Brincando com os pés n'areia.
Foi o cós que me chamou
E achei graça no início do seio,
Encoberto todavia. E todavia aberto.
Levantou-se. Atravessou o areal
E voltou depois com um rapaz
De quinze anos vivo,
Com calções coloridos.
Riam
Deitaram-se na areia, excitando-se.
Os cabelos dela, longos, pestanejando nas pernas dele.
As quatro mãos
Fugindo do que fugiam, acariciavam
Os bordos do atractivo.
Foi quando o aberto se veio sentar entre eles,
Que um clarão lhes incendiou as partes proibidas e o meu olhar
Me levou a ver
A ninfa e o fauno, figuras primícias do novo encanto.
Depois o aberto desvaneceu-se,
E deixou de haver luz naquele drama. Guardei o instantâneo
E arquivei o poema
Na minha colecção.
Maria Gabriela Llansol (2000). Onde vais, drama-poesia?. Lisboa: Relógio d'Água.
VII. Oferendas, p. 283-284
lunedì 24 novembre 2014
II (III) e VIII (V), de Maria Gabriela Llansol
II
Foi quando o sonho caiu sobre a árvore ________ e a abateu.
VIII
_____________ estava eu na cama trocando palavras de ternura quando acordei
por ouvir abater uma árvore; sentei-me fora da minha natureza, e reparei
que o pinheiro abatido, envolto em hera,
me entregava uma mensagem
«um eu é pouco para o que está em causa».
Maria Gabriela Llansol (2000). Onde vais, drama-poesia?. Lisboa: Relógio d'Água.
III. Em busca da troca verdadeira, p. 53
V. Apoptose, p. 182
Foi quando o sonho caiu sobre a árvore ________ e a abateu.
VIII
_____________ estava eu na cama trocando palavras de ternura quando acordei
por ouvir abater uma árvore; sentei-me fora da minha natureza, e reparei
que o pinheiro abatido, envolto em hera,
me entregava uma mensagem
«um eu é pouco para o que está em causa».
Maria Gabriela Llansol (2000). Onde vais, drama-poesia?. Lisboa: Relógio d'Água.
III. Em busca da troca verdadeira, p. 53
V. Apoptose, p. 182
Poema para Aossê, de Maria Gabriela Llansol
Dá-me um copo de água,
a boca dess'ar fresco,
a neblina que cai no jarro d'ar,
falo para o espelho
e peço à minha imagem
o que não ousaria pedir,
nem a mim próprio.
Dá-me a paisagem onde a amante dorme.
Maria Gabriela Llansol (2000). Onde vais, drama-poesia?. Lisboa: Relógio d'Água.
"II. Oferendas", p.41.
a boca dess'ar fresco,
a neblina que cai no jarro d'ar,
falo para o espelho
e peço à minha imagem
o que não ousaria pedir,
nem a mim próprio.
Dá-me a paisagem onde a amante dorme.
Maria Gabriela Llansol (2000). Onde vais, drama-poesia?. Lisboa: Relógio d'Água.
"II. Oferendas", p.41.
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